Lunes, 30 Noviembre 2020

logo para cedet                                     Año 2020. Edición N° 11

TEMA Los riesgos que genera la crisis de la pandemia en los niños, niñas y adolescentes afrodescendientes

POLÍTICA

  • La democracia del virus

    La democracia del virus

    Por Daniel Mathews (Perú) "La democracia, en su magnífica ecuanimidad, prohíbe, tanto al rico como al pobre, dormir bajo los puentes, mendigar por las calles y robar pan" por Anatole France. El señor Roque (esto, por cierto, es ficción) sale de la piscina de su casa para ver el noticiero en

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  • Ɓiopoder y Necropolítica en la Covid-19 Miguel Otávio Santana da Silva

    Ɓiopoder y Necropolítica en la Covid-19 Miguel Otávio Santana da Silva

    Por Alessandra Corrêa de Souza (Brasil) "Si hubiera sido yo, mi cara estaría en las portadas, como ya vi en varios casos de televisión. Mi nombre estaría en portadas y mi cara estaría en todos los medios. Pero el de ella no puede estar en los medios, no se puede

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  • Los riesgos generados por COVID-19 para la población negra

    Los riesgos generados por COVID-19 para la población negra

    Por Amauri Queiroz (Brasil) La crisis del coronavirus definitivamente expuso la enorme desigualdad social y económica entre blancos y negros en todo el mundo. Uno de los principales problemas que afecta directamente a la precisión de los límites de la pandemia es la información. Graves son las inconsistencias en los

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  • Pode a infância preta ser feliz?

    Pode a infância preta ser feliz?

    Por Fátima Santana Santos (Brasil) Comecemos pelo começo... Para falar de infância não poderia deixar de narrar sobre a minha própria infância enquanto menina negra e favelada.  Não é fácil nascer criança negra e pobre, logo e muito cedo as questões que envolvem racismo, preconceito e discriminação batem na nossa

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  • Riesgos que genera la crisis de la pandemia en los niños afrodescendientes

    Riesgos que genera la crisis de la pandemia en los niños afrodescendientes

    Por Elmer Mauricio Enriquez Bermudez (Guatemala) Livingston, Guatemala C.A./2020. A leguas se nota las evidencias y los grandes retos, desafíos y problemas que han enfrentado y deben de seguir enfrentando los niños y niñas afrodescendientes de nuestras comunidades desde el inicio de la presente pandemia, la comunidad garifuna y afrodescendiente está

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  • Las víctimas invisibles de la pandemia – niños y niñas afroperuanos

    Las víctimas invisibles de la pandemia – niños y niñas afroperuanos

    Por Mónica María Salazar Suárez (Perú) Palabras clave: Pandemia. Violación. Violencia contra la mujer. Violencia sexual. Embarazo adolescente. Niñas y adolescentes afro.   En un taller dirigido a los adolescentes afroperuanos de la comunidad de San Gabriel en el distrito de Villa María del Triunfo, pedí a los participantes proponer temas

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  • Pensar la educación, soñar el futuro

    Pensar la educación, soñar el futuro

    Por Julio E. Pereyra Silva (Uruguay) La pandemia de Covid-19 evidenció aun más la trama de desigualdades sobre la que se sostienen nuestras sociedades. Y comprobar que, ante una tragedia de esta dimensión, quienes están en situación de fragilidad -fragilidades para ser más justos- sencillamente van a estar peor. Los Estados,

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  • Impacto del COVID-19 en niñas, niños y adolescentes afrodescendientes en las Américas

    Impacto del COVID-19 en niñas, niños y adolescentes afrodescendientes en las Américas

    Por Joanna Drzewieniecki (Estados Unidos) “Si bien es cierto que el riesgo de enfermar gravemente por COVID-19 en niñas, niños y adolescentes es menor en comparación con otros grupos de la población, la realidad nos demuestra que los aparentemente ‘menos vulnerables’ están entre los más impactados, porque contagiados o no,

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Todas as vidas importam ou é só uma tendência falar sobre isso?

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Todas las vidas importan o es solo una tendencia hablar de ello

Por Danielle Almeida (Brasil).

Artivista antirracista y por la vida de las mujeres, Master en Ciencias de la Educación (Universidad de Monterrey /México) y especializada en Historia de África y de los Afro-brasileños (Universidad Federal de Minas Gerais e Casa das Áfricas), licenciada en Canto por la Universidad Federal de Pelotas.

danieeleHá quase cinco meses, a morte que descansava discreta entre as roupas e sapatos de grife começou a derrubar copos, bater portas, assoviar no fundo das consciências. Em razão do Covid-19, minuto a minuto, os meios de comunicação noticiam a passagem da doença pelas cidades do mundo com a seguinte frase: “o vírus não discrimina, não escolhe raça, gênero ou classe social”. No começo quase colou, mas era MENTIRA!

Nas margens do sistema, a morte espreita as nossas casas todos os dias desde sempre, repousa no fundo do armário, entre meias e pijamas, conhece nossos hábitos e nossos medos, espreita silenciosa como costuma ser. A morte é nossa vizinha, nos conhece muito bem e não por acaso.

Inicialmente e além do terror provocado pelo Covid-19, vivíamos ainda as angústias pela falta de emprego, de dinheiro para o aluguel, para a luz e gás, mas parecia que o medo do futuro e a incerteza nos unia, negros e brancos, os pobres e os menos pobres que se juram classe média e os classe média que se juram mais do que isso, os ricos logicamente estavam de fora. A incerteza até parecia que nos humanizava. Parecia, mas os problemas eram bem outros. 

Na precariedade dos sempre pobres, milhares de mães se angustiavam por não serem alfabetizadas o suficiente para ajudar os filhos nas tarefas escolares quando estes ainda tinham esperança na apostila dada pela escola. Milhares de jovens e famílias sentiram a vertigem da falta de chances no  ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio, da falta de perspectiva, da fome chegando no fundo da despensa e nos olhos das crianças. Nos primeiros 60 dias, ainda ouvíamos no plantão 24 horas do Covid-19 que “estávamos todos no mesmo barco dessa crise que assola o planeta”.  Todos ouvimos, mas já sabíamos que era MENTIRA!

Não bastasse o terror de contágio que ainda repousa nas nossas marmitas, o tratamento sub-humano que recebemos nas senzalas das casas modernas, o cansaço das poucas horas mal dormidas e do trabalho exaustivo nos canteiros de obras. Não bastasse a violência doméstica, o medo de levar a morte às nossas casas insalubres e superpopulosa nas favelas, nos becos, Cohabs, aldeias, quilombos, palafitas. Não bastasse tudo isso, acordamos e dormimos com as notícias de execução dos nossos e de nós mesmos, todos os dias. 

No começo da pandemia, João Pedro Matos, 14 anos, foi assassinado a tiros pelo Estado brasileiro dentro de casa; João Vitor da Rocha, 18 anos,  foi assassinado a tiros pelo Estado brasileiro durante entrega de cestas básicas na favela do Pantanal; George Floyd, 46 anos, foi assassinado pelos Estados Unidos da América, asfixiado por um policial em plena luz do dia.  Miguel Otávio Santana da Silva, uma criança de cinco anos, foi assassinada  pelo desprezo e pela negação da sua humanidade expressa na atitude criminosa e negligente da patroa que o abandonou em um elevador, durante a jornada de trabalho de sua mãe.  Como se não bastasse, no dia 12 de julho, um vídeo amador denunciava uma violenta agressão policial contra uma mulher negra de 51 anos que teve seu pescoço pisoteado, semelhante ao caso Floyd, espancada e presa por “desacato à autoridade” por defender um amigo também espancado pela polícia até seu desfalecimento.

Não! A nossa morte nunca basta e não daria para continuar contando aqui porque são muitos os casos, são brutais, nos mata lentamente ainda que o cadáver seja outro. Mas o fato é que com o caso George Floyd veio também a denúncia, pessoas negras do centro do capitalismo tomaram as ruas, com dor e revolta acordaram dos sonhos infantis a consciência ou o incômodo da branquitude dissimulada e cúmplice. Posts com quadros negros e hashtags brotaram nas redes sociais e desde então frases de efeito, frases em inglês demonstrando a vassalagem ao império e célebres frases de luta e de genuíno significado foram jogadas ao vento. “Todas as vidas importam”. MENTIRA! 

Para aqueles aliados ou aqueles que estão se aproximando da luta antirracista gostaria de deixar algumas palavras: ser antirracista depende de entendimento, mais que de postagens. Depende da compreensão de que existe uma diferença entre o que você, na sua compaixão, entende e o que o Sistema entende. Para o Sistema só um tipo de humano importa, esse tem cor, tem classe social e privilégios, os demais são construídos ideologicamente como sub-humanos ou não humanos. E se estamos juntos na luta antirracista, procure saber sobre como, a partir do século XVI, a elites europeias e a igreja católica construíram o critério de humanidade que perdura até hoje, que justificou o genocídio dos povos indígenas e a escravização de milhões de pessoas africanas durante quase 400 anos neste continente. Informe-se sobre a palavra mulato/a e o que é considerado mera vida, sobre o impacto do Covid-19 e dos testes farmacêuticos na África. Conheça mais sobre onde foram testadas as armas do holocausto que matou judeus no séc. XX, sobre as lutas anticoloniais e antimanicomiais, sobre o projeto de encarceramento em massa e a guerra às drogas.

Saiba que as mortes de pessoas negras e indígenas estão ligadas a um sistema de opressão, de exploração de territórios, de força de trabalho e de riquezas, e do extermínio de povos. Saiba que até a morte por infarto daquela senhora negra que trabalhava na casa da sua família há mais de 30 anos, está também na equação do Sistema. Procure saber sobre o perfil dos diabéticos e hipertensos no Brasil, porque as mulheres negras recebem menos anestesia na hora do parto e entenda que  o “enfrentamento” do Covid-19 no Brasil é parte da equação genocida do Sistema.

vidas egrasFotografía: https://www.infobae.com/

Há meses se acentua o número de mortos cuja classe e raça já sabemos qual é. Na América Latina onde as injustiças são quase um sinônimo, a pobreza, as desigualdades, as ameaças à democracia, o abuso do Estado contra corpos radicalizados como negros e indígenas aumentam a cada dia. Deixe morrer os indesejáveis dos sistema, “elimine os pobres e com eles a pobreza”, talvez a frase apareça em um slogan nas próximas eleições porque tudo é previsto na equação do Sistema Mundo Moderno Colonial  Capitalista Racista Machista Homofóbico…, como sugere Ramon Grosfoguel. Ser antirracista significa perceber que mesmo que no seu conceito todas as vidas sejam importantes, algumas estão mais ameaçadas que outras. Um humano branco nesse mundo racista não é o mesmo que um humano negro ou indígena e ainda que esses humanos racializados como inferiores não se preocupem com a consciência racial, eles morrem em nome da humanidade forjada para apenas um grupo social. Ser antirracista é saber quando abrir mão dos privilégios que a humanidade branca te deu e AGIR em defesa das outras vidas,  das outras humanidades, contra a hegemonia que te privilegia e contra a homogeneização que nos silencia. 

Ser antirracista é lutar por uma vida que não é a sua. 

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